“The Post – A guerra secreta” e Empresas Espiritualizadas

Achei o “The Post” tão bom que me sinto na obrigação de escrever um rápido artigo sobre o filme. Pena não ter ganho o oscar esse ano. Uma obra tão atrelada ao que tratamos aqui em nosso site.

Evitando dar spoilers, The Post é um filme sobre a denúncia que o jornal The New York Times fez sobre as mentiras descobertas sobre a guerra do Vietnã e a consequente e ousada participação nessa “guerra secreta” por parte do jornal The Washington Post.

Olhando dessa forma parece ser apenas um filme bom. Porém, é um também um ótimo filme sobre Propósito e Missão, seu respectivo poder de transformação e os consequentes acontecimentos históricos que mudaram o mundo. Além de ser uma mensagem espetacular para o atual governo americano, bem como uma homenagem às lutas pelos diretos das mulheres.

Enredo e as práticas de uma empresa espiritualizada

O The Washington Post, que está correndo atrás de uma liderança de mercado, assiste de camarote o The New York Times lançar notícias revelando as mentiras contadas pelo governo americano sobre a guerra do Vietnã.  Neste cenário, o TWP começa a fazer um esforço tremendo para participar da revelação dos escândalos. Então consegue a posse de todos os documentos oficiais que relatam essas verdades sobre a guerra. Tudo isso no mesmo momento em que o NYT é proibido pelo governo Nixon de lançar mais fatos sobre o ocorrido.

É nesse momento que uma trama sobre propósito começa a ser narrada. O TWP está prestes a lançar suas ações na bolsa americana de valores e assim captar grandes recursos financeiros. Sua comandante Katharine Graham (papel absurdamente interpretado por Meryl Streep) se vê dividida entre dois caminhos: a salvação financeira de seu jornal ou a revelação dos fatos ao público, desafiando assim o governo americano.

Enquanto o filme relata a guerra entre os maiores veículos do país contra seu próprio governo, existe uma guerra particular acontecendo dentro da personagem principal. Kat é uma mulher educada para ser a tradicional “mulher de casa” e é colocada no comando da empresa quando seu marido comete suicídio. A sua volta um mundo completamente machista que faz de tudo para mantê-la na imagem “inferior” de mulher de casa.

Enquanto a trama se desenvolve a personagem vai se conectando aos poucos à sua própria missão e ao propósito do jornal. Há uma cena específica onde vemos essa transformação acontecendo. É a cena onde ela precisa tomar a decisão final (foto acima) e para isso se conecta com a missão da empresa “Coletar e divulgar notícias importantes e dedicar-se ao bem-estar da nação e aos princípios da livre imprensa”.

É somente com base na essência da empresa que uma decisão, capaz de transformar o mundo e a própria empresa, pode ser tomada.

Quando Kat consegue conectar-se ao propósito, percebe um mundo todo sendo transformado, inclusive o mundo interno. Analisando via níveis neurológicos* podemos ver suas capacidades, seus comportamentos e seu ambiente (suas roupas, principalmente) mudando cena após cena. Mostrando o poder da conexão com os níveis superiores de Identidade e Espiritualidade.

Logo vê-se os resultados aparecendo após o caminho do propósito ser percorrido. Resultados internos como: o jornal se tornando popular no país inteiro e se tornando o veículo que hoje é mundialmente conhecido. E externamente: outros jornais começam a seguir o exemplo do TWP, praticando verdadeiramente a liberdade de imprensa do país.

Em uma lição de conexão, Kat Graham diz: “Não estamos sozinhos, (…)os pais da democracia deram a liberdade de imprensa e a proteção que ela deve ter para que possamos cumprir o papel essencial em nossa democracia. (…) A imprensa deve seguir os governados e não os governantes”. E finaliza citando seu marido: “O jornal é a primeira folha rascunho de toda história”.

Uma outra trama interessante na história, elucida bem o que uma empresa espiritualizada ganha quando se conecta com seus níveis superiores. Todo início do filme é permeado pelo jornal tentando participar do evento de casamento da filha do presidente. O jornal faz esforços para conseguir ser convidado a entrar e reportar o evento. Ben Bradlee (interpretado por Tom Hanks), editor chefe e super conectado com sua missão como jornalista, acha isso uma besteira e da pouca importância para o tal evento. A entrega do “produto”, por meio dessa notícia, não o satisfaz porque é muito pequena frente ao tamanho da missão do jornal. Quando consegue noticiar atrocidades sobre o governo ele se vê imensamente satisfeito. A coragem permeia seu trabalho. Seu coração é o editor-chefe!

–x–

Essa guerra secreta acontece com todos nós, dentro de nossas empresas. O duelo cultural criado entre o “financeiro” e o “propósito” é algo que vejo constantemente no mundo corporativo (quando deveriam andar juntos). Também comum é a falta de coragem e a conformidade com o “pouco”. Tudo resultado de uma desconexão com aquilo que realmente importa, com nossa essência. Uma empresa espiritualizada é também uma empresa corajosa, uma empresa lucrativa, entregando sempre prosperidade.

 

*Níveis neurológicos é uma das principais ferramentas comentadas no livro “Empresas Espiritualizadas”. Veja mais.

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