Sofrimento

Conduzo muitos treinamentos como foco em “Despertar do Coração”. Nesses cursos é comum vermos um coração aberto entrar em contatos como algumas tristezas. Elas são inerentes ao ser humano. A mesma parte do ser humano que sente a felicidade, também sente a tristeza. São os dois lados da mesma moeda. É importante que aprender a estar feliz é totalmente proporcional a aprender a estar triste. São sentimentos irmãos. Um coração aberto, é um coração que sente. Assim, a tristeza é natural.

Agora sofrimento não. Sofrimento é resistência. Sendo resistência, ele é opcional. Criação da nossa mente. Se simplesmente aceitarmos as coisas como elas são, o sofrimento acaba. Exemplo:  pense nos momentos de sofrimento da sua vida. Perceba que você provavelmente não queria que aquilo que estava acontecendo, estivesse acontecendo.

Assim, aceitar é deixar de sofrer. O que é, é.

Muitos caminhos de evolução passam por aceitar melhor a tristeza. Só assim alcançaremos um estado de plenitude. Costumo dizer  que o sentimento de gratidão carrega uma boa parte de tristeza. E isso não é ruim. Entender que a tristeza é necessária e a importância dela na vida transforma a forma como vemos ela. Aceitamos e agradecemos a presença dela em nossas vidas. Novamente, o sofrimento acaba.

 

Acontece que, recentemente, percebi um ponto importante sobre esse “soltar”: temos muito mais dificuldades de “deixar ir” aquilo que temos o poder de mudar. Se não temos (ou não enxergamos) opção de mudança, o sofrimento diminui muito, porque de alguma forma, diminuímos nossa vontade exagerada de mudar aquilo.

Tentarei explicar melhor: se você está no seu carro e uma música que você não gosta começa a tocar, um pequeno sentimento de raiva vem em poucos segundos e mudamos a música. É muito difícil aceitar aquela música pelo simples poder de muda-la… ficar ouvindo-a com paz de espirito nem parece uma opção.

O contrário também é verdadeiro: se não enxergamos a possibilidade de mudar de cidade, por exemplo, se essa opção não apareceu na nossa vida, então não sofremos com isso. É somente quando percebemos que existe uma nova opção que o sofrimento pode aparecer.

Apesar de ser bastante simples, por que entender isso é importante?

Porque o maior desafio é saber sempre aceitar aquilo que é. Mesmo tendo o poder de mudança. Não porque a mudança não precisa ser feita, mas porque o movimento precisa ser sempre sutil, fluído. E com sofrimento, ele nunca é.

Os grandes mestres da humanidade sempre ensinaram isso. E sempre viveram dessa forma. Nossa impressão de que eles estão sempre em paz com tudo, é porque realmente estão.

Vale sentir esse aprendizado e passar aceitar as coisas como são, até aquelas que temos poder de mudar.

Deixe ir.

 

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